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Jo 15,1-8

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos:
1'Eu sou a videira verdadeira
e meu Pai é o agricultor.
2Todo ramo que em mim não dá fruto
ele o corta;
e todo ramo que dá fruto,
ele o limpa, para que dê mais fruto ainda.
3Vós já estais limpos
por causa da palavra que eu vos falei.
4Permanecei em mim
e eu permanecerei em vós.
Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo,
se não permanecer na videira,
assim também vós não podereis dar fruto,
se não permanecerdes em mim.
5Eu sou a videira 
e vós os ramos.
Aquele que permaneceu em mim, e eu nele,
esse produz muito fruto;
porque sem mim nada podeis fazer.
6Quem não permanecer em mim,
será lançado fora como um ramo e secará.
Tais ramos são recolhidos,
lançados no fogo e queimados.
7Se permanecerdes em mim
e minhas palavras permanecerem em vós,
pedí o que quiserdes
e vós será dado.
8Nisto meu Pai é glorificado:
que deis muito fruto
e vos torneis meus discípulos.


29 de abril - 5º Domingo da Páscoa

Meus irmãos e minhas irmãs,

Celebramos hoje a missa que nos faz uma referência à VIDEIRA. No Antigo Testamento “a vinha de Javé” era Israel, era o povo eleito de Deus. Mas esse povo não produziu os frutos esperados por Deus. Daí, o Novo Testamento traz a parábola de Jesus, dizendo que foram os vinhateiros que não quiseram dar a devida parte do produto ao proprietário: este, depois de ter mandado servos, enviou finalmente seu próprio filho, mas os vinhateiros o mataram, e a vinha foi dada a outros arrendatários. Assim, a vinha se tornou imagem do novo povo de Deus. É neste sentido que João recorre à imagem da videira no Evangelho de hoje (Jo 15,1-8).

A parábola que lemos na celebração deste Quinto Domingo da Páscoa aplica-se, inicialmente, a Jesus: “Eu sou a verdadeira videira”, assegura-nos o Divino Mestre. Mas trata-se de uma videira comunitária; é Cristo ligado aos seus discípulos, aos seus apóstolos, aos seus seguidores. É nestes, que estão unidos com Ele, que Jesus produz os frutos que glorificam ao Divino Pai Eterno: os frutos da caridade, do amor, da acolhida.

Meus queridos irmãos,

Jesus Cristo glorioso sobe aos céus, mas permanece como raiz e centro da humanidade redimida, recriada pelo Seu sangue. Jesus permanece como fonte de vida para todos nós. Desta forma, entendemos serem os fiéis um prolongamento de Cristo. A figura da videira para simbolizar o povo não era estranha, já havia sido usada em Isaías (5, 1-7) e em Ezequiel (15,1-8).

Jesus resgata a velha comparação entre os homens e a videira e a ilumina: Deus é o agricultor. A videira é Jesus, a melhor cepa possível, que produzirá os melhores frutos, inteiramente do gosto e do agrado do Deus Pai; dessa videira o Criador jamais se queixará. Pela paixão e ressurreição de Jesus nós fomos enxertados no tronco. Agora fazemos parte da nova videira. Enquanto estivermos inseridos no tronco, como os sarmentos na cepa, é certo que também nossos frutos serão agradáveis a Deus, porque a seiva, a vida de Cristo-tronco, é a mesma que corre em nós-ramos.

Somos, portanto, o prolongamento de Cristo; unidos a Cristo estamos também em nossas obras, da mesma forma como Ele é um com o Pai em todos os passos de sua peregrinação terrena. Esta verdade, sobre a qual Jesus tanto insistiu, é das que mais devem despertar nossa confiança nele, o nosso esforço para conformar nossos pensamentos, planos e ações à sua maneira de agir.

Meus irmãos,

Se somos prolongamentos de Cristo, somos sócios ou parceiros de um projeto divino de salvação. Por isso, temos que pedir, como o Rei Davi, a graça da sabedoria para vivenciarmos nosso batismo e na confirmação de nossa fé dentro do projeto de libertação e de salvação proposto pelo Salvador. Jesus promete esses frutos ricos de fecundidade aos ramos que se fizerem enxertados nele.

Todos nós temos que ser co-participantes do mistério da salvação, temos que procurar dar nossa contribuição para permanecermos unidos a Cristo e ao seu projeto do reino das Bem-aventuranças.

Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitado é o Senhor da História e da Graça. Em decorrência disso, Ele precisa dos homens e das mulheres para implementar o seu projeto salvífico. A História depende de Cristo, como os ramos do tronco. Sozinhos, nada faremos, porque o ramo que não está ligado ao tronco perece, morre, desaparece. Unidos, porém, ao tronco, ao Senhor da Vida, transformaremos cada dia de nossa vida numa manifestação do milagre de amor, qual uma seiva que, vinda do Tronco, abençoa os seus ramos fiéis.

Aí reside, pois, a novidade da Missa de hoje: a comunhão da criatura humana com Deus na vida presente, que se plenifica na eternidade. Eis porque devemos repetir, hoje e sempre, com o apóstolo Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne eu a vivo pela fé no Filho de Deus” (Gl 2,20).

Prezados irmãos,

Jesus, a nova videira, é a imagem do novo povo de Deus. É necessário, contudo, que seus discípulos permaneçam nele, como os ramos. O Pai, agricultor da sua videira, cuida dos ramos para que produzam mais frutos e corta aqueles que não produzem fruto. Existe, portanto, uma proximidade entre os verbos permanecer e frutificar, que é produzir fruto. Permanecem e frutificam aqueles que observam a Palavra de Jesus e se purificam por essa Palavra. Este é o vínculo de permanência dos ramos na videira. Já os frutos tem duplo direcionamento: o amor aos irmãos – mandamento de Cristo e a glorificação do Pai pela obediência a Cristo no discipulado.

Queridos irmãos,

Ao formamos comunhão com o tronco, os ramos edificam a comunidade de fiéis. Comunhão e comunidade vêm da mesma raiz de fé. Temos que nos engajar e nos disponibilizarmos a fazer acontecer o Reino de Deus entre nós. Para isso, contamos com a graça especial da Igreja de Cristo, a única e verdadeira Igreja instituída por Cristo, a Igreja Católica, uma comunidade que se esforça por viver em comunhão, dando ao mundo testemunho dos frutos da salvação que brotam do Senhor Ressuscitado.

Em que consiste esta união vital com Cristo? Nada mais, nada menos do que o amor fraterno. É o amar, não só com palavras, mas em atos e verdade. E a segunda leitura da celebração deste domingo(1Jo 3,18-24) nos fala desse amor eficaz, ou seja, um amor que provem de Deus e que deve iluminar a nossa caminhada de comunidade de fé, de comunidade familiar, de vida pessoal de fé em Deus Trindade. O amor não se vive com “conversa fiada”, mas com ações concretas em favor dos irmãos. Não chega condenar a guerra, mas é preciso ser construtor da paz; não chega fazer discursos sobre justiça social, mas é preciso realizar gestos autênticos de partilha; não chega assinar petições para defender os direitos dos explorados, mas é preciso lutar objetivamente contra as leis e sistemas que geram exploração; não chega fazer discursos contra as leis que restringem a imigração, mas é preciso acolher os irmãos estrangeiros que vêm ao nosso encontro à procura de uma vida melhor; não chega dizer mal de toda a gente que trabalha na nossa paróquia, mas é preciso um empenho sério na construção de uma comunidade cristã que dê cada vez mais testemunho do amor de Jesus.

A Segunda Leitura(1Jo 3,18-24) explicita mais o modo de permanência em Cristo: o amor concreto aos irmãos. Esta é uma característica marcante da comunidade cristã, que a distingue de qualquer outra proposta religiosa ou filosófica – chamada de gnose: o amor que se realiza não só de boca e com palavras, mas com a verdade das ações. O amor fraterno é índice, o termômetro da permanência em Cristo, pois é o cumprimento do mandamento dele. Vivendo assim, a comunidade não tem porque se inquietar, pois permanece em Deus e Deus permanece nela. Onde houver dúvida, esse critério ratifica a verdade do caminho do Evangelho. O lugar onde Deus habita com a sua Palavra, que ilumina o caminho e permite prosseguir junto a Ele.  A consciência é um saber do coração em conexão com Deus.

Caros irmãos,

Antes, a primeira leitura(At 9,26-31)fala da conversão de Paulo, seu contato com os apóstolos de Jerusalém, mediante Barnabé, suas discussões com os judeus do helenismo e sua missão em Tarso. Esse relato nos demonstra que já existia a comunhão eclesial desde os tempos de Paulo. A pregação cristã suscita, naturalmente, o conflito com os poderes de morte e de opressão, interessados em perpetuar os mecanismos de escravidão. A fidelidade ao Evangelho e a Jesus provoca sempre a oposição do mundo (vers. 29). O caminho do discípulo de Jesus é sempre um caminho marcado pela cruz (não é, no entanto, um caminho de morte, mas de vida). É sempre o Espírito Santo que conduz a Igreja na sua marcha pela história. É o Espírito que lhe dá estabilidade (“como um edifício”), que lhe alimenta o dinamismo (“caminhava no temor do Senhor”) e que a faz crescer (“ia aumentando”). A certeza da presença e da assistência do Espírito Santo deve fundamentar a nossa esperança.

A liturgia deste domingo nos oferece, ainda, a oportunidade para realçar a relação entre a Mesa da Palavra e a Mesa Eucarística, mediante o simbolismo do vinho. A videira verdadeira produziu, como primeiro de seus frutos, o vinho da salvação, o sangue derramado na cruz pela nossa salvação. Assim, nossos frutos deverão ser da mesma natureza!

Prezados irmãos,

Meus irmãos,

Crescer em todos os sentidos é uma aventura emocionante, que dura o tempo todo de nossa existência. O mesmo Deus que nos estimula a nos darmos ao máximo, compreende melhor do que nós mesmos nossas fragilidades e nos acolhe como realmente somos, para nos ajudar a crescer.

Peçamos, pois, ao Ressuscitado conceder-nos uma fé corajosa, que aumente muito a nossa capacidade de realizar boas obras e vencer os desafios, porque “quem em mim permanece, esse dá muito fruto”. Assim seja.

Escrito por: Padre Wagner Augusto Portugal