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Mc 16,15-20

Naquele tempo:
Jesus se manifestou aos onze discípulos,
15e disse-lhes:
'Ide pelo mundo inteiro
e anunciai o Evangelho a toda criatura!
16Quem crer e for batizado será salvo.
Quem não crer será condenado.
17Os sinais que acompanharão
aqueles que crerem serão estes:
expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas;
18se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal
não lhes fará mal algum;
quando impuserem as mãos sobre os doentes,
eles ficarão curados'.
19Depois de falar com os discípulos,
o Senhor Jesus foi levado ao céu,
e sentou-se à direita de Deus.
20Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte.
O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra
por meio dos sinais que a acompanhavam.


13 de maio - Ascensão do Senhor

Meus queridos irmãos,

A festa da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo é transferida para o domingo seguinte por uma decisão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, para que todos pudessem participar da celebração nesta importante festa.

A liturgia desta solenidade nos encanta pela palavra do Redentor: A SANTIFICAÇÃO DA VERDADE, que Jesus pede ao Pai, na hora de sua despedida, para os seus discípulos. A verdade em São João é, antes de tudo, a revelação do ser de Deus no seu Filho, mais especificamente, na “hora” deste, ou seja, sua morte, a manifestação da glória de Deus, de seu mais íntimo ser, pois Deus é amor, conforme vimos no último domingo.

A verdade é, pois, o amor de Deus que se revela para nós, na doação de seu Filho. Jesus pede que seus discípulos sejam santificados nesta verdade. Jesus se dedica a Deus, assumindo a obra da revelação do amor até o fim. Nisto, torna-se inteiramente palavra de Deus, e esta palavra é a verdade.

Irmãos e Irmãs,

A Ascensão celebra a glorificação de Jesus que, voltando ao Pai, depois de cumprida a sua missão na terra, Ele reaparece em sua gloriosa condição divina que, no momento da encarnação, havia ocultado. Jesus volta vitorioso sobre o pecado e vencedor sobre a morte.

O Filho de Deus que hoje sobe aos céus não é o mesmo que desceu. Ao se encarnar no seio da Bem-aventurada Virgem Maria, ele era só Deus. Hoje, ele retorna ao Pai em divindade e também com sua humanidade, com a nossa carne humana. Por isso hoje, a Igreja celebra a solenidade e a festa do envio para a missão.

A exaltação de Jesus está intimamente ligada ao mistério da Igreja e à sua missão. Jesus entrega à comunidade eclesial a continuidade de sua missão. A missão é única de Jesus e da Santa Igreja Católica, uma missão salvadora que se realiza com a mesma graça santificante.

Somos membros do Corpo Místico de Cristo Ressuscitado e a sua subida não significa afastamento, mas um novo modo de estar presente no meio de nós: “Já não sou eu quem vive, é Cristo quem vive em mim” (Gal 2,20), já sentenciava São Paulo para demonstrar a presença contínua de Cristo na vida da Santa Igreja e na nossa vida de caminhada de fé.

Prezados irmãos,

A Primeira Leitura(Cf. At 1,1-11) inicia com um prólogo (vers. 1-2) que relaciona os Atos com o 3° Evangelho – quer na referência ao mesmo Teófilo a quem o Evangelho era dedicado, quer na alusão a Jesus, aos seus ensinamentos e à sua ação no mundo (tema central do 3° Evangelho). Neste prólogo são também apresentados os protagonistas do livro – o Espírito Santo e os apóstolos, vinculados com Jesus. Depois da apresentação inicial, vem o tema da despedida de Jesus (vers. 3-8).

O autor começa por fazer referência aos “quarenta dias” que mediaram entre a ressurreição e a ascensão, durante os quais Jesus falou aos discípulos “a respeito do Reino de Deus” (o que parece estar em contradição com o Evangelho, onde a ressurreição e a ascensão são apresentados no próprio dia de Páscoa – cf. Lc 24). O número quarenta é, certamente, um número simbólico: é o número que define o tempo necessário para que um discípulo possa aprender e repetir as lições do mestre. Aqui define, portanto, o tempo simbólico de iniciação ao ensinamento do Ressuscitado.

As palavras de despedida de Jesus (vers. 4-8) sublinham dois aspectos: a vinda do Espírito e o testemunho que os discípulos vão ser chamados a dar “até aos confins do mundo”. Temos resumida aqui a experiência missionária da comunidade de Lucas: o Espírito irá derramar-se sobre a comunidade crente e dará a força para testemunhar Jesus em todo o mundo, desde Jerusalém a Roma. Na realidade, trata-se do programa que Lucas vai apresentar ao longo do livro, posto na boca de Jesus ressuscitado.

O autor quer mostrar com a sua obra que o testemunho e a pregação da Igreja estão entroncados no próprio Jesus e são impulsionados pelo Espírito. O último tema é o da ascensão (vers. 9-11). Evidentemente, esta passagem necessita de ser interpretada para que, através da roupagem dos símbolos, a mensagem apareça com toda a claridade.

Temos, em primeiro lugar, a elevação de Jesus ao céu (vers. 9a). Falamos do sentido: a ascensão é uma forma de expressar simbolicamente que a exaltação de Jesus é total e atinge dimensões supra-terrenas; é a forma literária de descrever o culminar de uma vida vivida para Deus, que agora reentra na glória da comunhão com o Pai. Temos, depois, a nuvem (vers. 9b) que subtrai Jesus aos olhos dos discípulos. Pairando a meio caminho entre o céu e a terra, a nuvem é, no Antigo Testamento, um símbolo privilegiado para exprimir a presença do divino (cf. Ex 13,21.22; 14,19.24; 24,15b-18; 40,34-38).

Ao mesmo tempo, simultaneamente esconde e manifesta: sugere o mistério do Deus escondido e presente, cujo rosto o Povo não pode ver, mas cuja presença adivinha nos acidentes da caminhada. Céu e terra, presença e ausência, luz e sombra, divino e humano, são dimensões aqui sugeridas a propósito de Cristo ressuscitado, elevado à glória do Pai, mas que continua a caminhar com os discípulos. Temos ainda os discípulos a olhar para o céu (vers. 10a).

Significa a expectativa dessa comunidade que espera ansiosamente a segunda vinda de Cristo, a fim de levar ao seu termo o projeto de libertação do homem e do mundo. Temos, finalmente, os dois homens vestidos de branco (vers. 10b). O branco sugere o mundo de Deus, o que indica que o seu testemunho vem de Deus. Eles convidam os discípulos a continuar no mundo, animados pelo Espírito, a obra libertadora de Jesus; agora, é a comunidade dos discípulos que tem de continuar, na história, a obra de Jesus, embora com a esperança posta na segunda e definitiva vinda do Senhor. O sentido fundamental da ascensão não é que fiquemos a admirar a elevação de Jesus; mas é convidar-nos a seguir o “caminho” de Jesus, olhando para o futuro e entregando-nos à realização do seu projeto de salvação no meio do mundo.

A ressurreição/ascensão de Jesus garante-nos, antes de mais, que uma vida vivida na fidelidade aos projetos do Pai é uma vida destinada à glorificação, à comunhão definitiva com Deus. Quem percorre o mesmo “caminho” de Jesus subirá, como Ele, à vida plena. A ascensão de Jesus recorda-nos, sobretudo, que Ele foi elevado para junto do Pai e nos encarregou de continuar a tornar realidade o seu projeto libertador no meio dos homens nossos irmãos.

Meus queridos irmãos,

O Evangelho de Mc 16,15-20 ensina que Jesus subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai, numa significação do poder divino que Ele tem sobre o céu e a terra. O glorioso Cristo possui um poder igual ao Divino Pai Eterno. Um poder em comunhão com o poder do Pai. O Homem Deus sobe ao céu para realizar a plenitude de todos os desejos da criatura humana. Por isso, a Ascensão é uma festa missionária, festa de envio.

O Evangelho anuncia a novidade cristã pela Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. A partir deste evento, todos somos convidados a crer. Recebendo o Batismo, todos estão configurados como sacerdotes, sendo aceitos no grêmio do Reino de Deus. A missão de batizados é a missão: a nova evangelização, anunciar a salvação a todos os povos e convocar as gentes para a santidade de vida. O próprio Jesus, com a sua autoridade, nos envia para a missão. Jesus envia a todos, santos e pecadores, para os santos e para os pecadores, especialmente para aqueles que estão à margem da sociedade e à margem da Igreja, que muitas vezes mais dividem do que unem.

A missão é destinada aos homens e às mulheres de boa vontade: nas mãos do homem que matou é posto o mistério da vida eterna, da vida que nos salva. Os homens que se amesquinharam, os homens que se calaram, hoje são convidados a assumir o mistério da palavra, são convidados a serem apóstolos, a serem enviados em nome de Deus.

Mas, qual é a missão dos apóstolos? Expulsar os demônios, falar em línguas novas, impor as mãos aos enfermos e curá-los, lidar com serpentes e venenos, sem conseqüências. Para que esta missão? Os homens de hoje vivem cercados e iludidos de impedimentos. Tanta coisa nos é proposta, mas, na verdade, impede nossa essencial dimensão para Deus ou a necessária dimensão para o próximo, a difícil dimensão para o equilíbrio do nosso eu. A todos esses empecilhos a Sagrada Escritura chama de ídolos, de pecados.

Quantas vezes nos iludimos com os ídolos da vida moderna? Quantas vezes o hedonismo, o sexo desvairado, o ter, o poder, o consumir, a permissividade tomou lugar da santidade que vem do Ressuscitado em nossa vida? O dinheiro e o poder tomam mais lugar em nossa vida do que a vida de fé e a vida de comunidade. Será por quê? Estamos afastados de Deus? Estes são os demônios da vida moderna!

Em tempos de muitos discursos messiânicos e de muitas Seitas que estão por aí para espoliar a ignorância da gente iletrada a VERDADE DE CRISTO é a seguinte: FIDELIDADE, EMPENHO PESSOAL, ESPERANÇA A TODA PROVA, CONSOLAÇÃO, PARTILHA E ALEGRIA. Nos homens e mulheres, santos e simples da roça e da cidade, encontramos a honestidade e a lisura de vida, com princípios que vencem a luxúria, o comodismo e o esbanjamento dos dias modernos, mantendo a fidelidade ao mandato do Senhor Ressuscitado.

Ascensão quer significar UNIVERSALIDADE DA SALVAÇÃO. Jesus nos envia para a missão em todo o orbe. Para anunciar o Evangelho, temos que ser testemunhas, com palavras e obras, de que Jesus é o Filho de Deus, o Ressuscitado, e que subiu glorioso aos céus. Em segundo lugar, a pregação nos ensina a clamar por uma nova ordem na criação. Em Jesus Cristo, todas as criaturas foram renovadas, tanto na terra quanto no céu.

Meus queridos irmãos,

A Carta aos Efésios é, provavelmente, um dos exemplares de uma “carta circular” enviada a várias igrejas da Ásia Menor, numa altura em que Paulo está na prisão (em Roma?). Q seu portador é um tal Tíquico. Estamos por volta dos anos 58/60. Alguns vêem nesta carta uma espécie de síntese da teologia paulina, numa altura em que a missão do apóstolo está praticamente terminada no oriente. Em concreto, o texto que nos é proposto aparece na primeira parte da carta e faz parte de uma ação de graças, na qual Paulo agradece a Deus pela fé dos efésios e pela caridade que eles manifestam para com todos os irmãos na fé.

A segunda leitura(Ef 1,17-23) nos ensina que não só a alegria, mas também o amor de Deus, deve ser levado à plenitude em nós, pelo amor fraterno. Para isso, Deus nos dá o Espírito, que continua a obra do Filho, agora exaltado, para permanecermos fiéis ao legado de Cristo, que nos amou até o fim; para conhecermos o sentido decisivo deste amor, nele acreditemos e lhe sejamos fiéis, desta forma, Deus permanece em nós e nós n’Ele.

Afirmar que Cristo é a “cabeça” da Igreja significa, antes de mais, que os dois formam uma comunidade indissolúvel e que há entre os dois uma comunhão total de vida e de destino; significa também que Cristo é o centro à volta do qual o “corpo” se articula, a partir do qual e em direção ao qual o “corpo” cresce, se orienta e constrói, a origem e o fim desse “corpo”; significa ainda que a Igreja/corpo está submetida à obediência a Cristo/cabeça: só de Cristo a Igreja depende e só a Ele deve obediência.

Afirmar que a Igreja é a “plenitude” (“pleroma”) de Cristo significa dizer que nela reside a “plenitude”, a “totalidade” de Cristo. Ela é o receptáculo, a habitação, onde Cristo Se torna presente no mundo; é através desse “corpo” onde reside, que Cristo continua todos os dias a realizar o seu projeto de salvação em favor dos homens. Presente nesse “corpo”, Cristo enche o mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que o próprio Cristo “seja tudo em todos” (vers. 23).

Na nossa peregrinação pelo mundo, convém termos sempre presente “a esperança a que fomos chamados”. A ressurreição/ascensão/glorificação de Jesus é a garantia da nossa própria ressurreição/glorificação. Formamos com Ele um “corpo” destinado à vida plena. Esta perspectiva tem de dar-nos a força de enfrentar a história e de avançar – apesar das dificuldades – nesse “caminho” do amor e da entrega total que Cristo percorreu.

Afirmar que fazemos parte do “corpo de Cristo” significa que devemos viver numa comunhão total com Ele e que nessa comunhão recebemos, a cada instante, a vida que nos alimenta. Significa também viver em comunhão, em solidariedade total com todos os nossos irmãos, membros do mesmo “corpo”, alimentados pela mesma vida.

Afirmar que a Igreja é o “pleroma” de Cristo significa que temos a obrigação de testemunhar Cristo, de torná-l’O presente no mundo, de levar à plenitude o projeto de libertação que Ele começou em favor dos homens. Essa tarefa só estará acabada quando, pelo testemunho e pela ação dos crentes, Cristo for “um em todos”.

A comunidade cristã é a continuação da missão e da presença de Jesus no mundo. Os sinais indicados no Evangelho devem ser traduzidos para a realidade de hoje. Não precisam ser milagres, mas devem mostrar a força transformadora de Jesus entre nós. O Divino Mestre, de fato, não se ausenta. Ele terá, daí para frente, um outro tipo de presença, através da ação das comunidades que crêem nele e realizam a sua missão.

Que todos nós, pois, possamos arregaçar as mangas, saindo do comodismo e atendamos pressurosos ao apelo do Senhor que subiu aos Céus: “Ide e Evangelizai”. Amém. Aleluia!

Escrito por: Pe Wagner Augusto Portugal